| Jornal "O Estado de Minas" |
Essa fumaça cheirosa que defuma e dá sabor às carnes.Certa vez, um jornalista Mino Carta, participando de um dos banquetes oferecidos pelo Itamaraty, ficou impressionado com um prato que acabara de saborear: um delicioso surubim que ele não tinha a mínima idéia de como havia sido preparado para possuir um gostinho especial. Mino, que na ocasião era diretor da revista Goumert Internacional, não perdeu tempo e com o seu inigualável faro jornalístico tratou de descobrir os mistérios da tão saborosa iguaria: primeiro para poder satisfazer em outros dias o seu apurado paladar e, em seguida, levantar material que de interesse da linha editorial da sua revista. A alquimia para se atingir á tal delícia era segredo de apenas uma pessoa: o engenheiro químico Haroldo Eustáquio da Silva, especialista em alimentos. Sua técnica de defumação foi desenvolvida a partir da tecnologia tradicional que os camponeses alemães possuem para defumar carnes. Seu aprendizado deve, principalmente, aos especialistas da Food And Agriculture Organization das Nações Unidas - ONU. Haroldo trabalhava, em 1983, como técnico de alimentos da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais - Cetec, cargo que ocupou durante quatro anos, quando os especialistas da ONU estiveram em Belo Horizonte para repassar novas tecnologias à instituição. “Foi aí que aconteceram a coisas mais absurdas, típicas de um País como o Brasil”, conta, relembrando que os próprios técnicos se viram obrigados a comprar a carne que seria defumada para poder aprender as novas técnicas. “ O maior problema é que o Cetec não liberava verbas para a compra do material necessário. Resumindo, “ou arcávamos com os gastos iniciais ou não teríamos condição de aproveitar a permanência dos especialistas estrangeiros entre nós”. A carne defumada era vendida, depois, aos funcionários do Cetec para cobrir os gastos. Empresa Própria: Dominando o processo, Haroldo Silva teve a idéia de dedicar de corpo e alma aos defumados e colocá-los à venda numa pequena lojinha que já possuía do Mercado Central, onde vendia lingüiça produzida no fundo do seu quintal. Hoje ainda existe a mesma lojinha, vendendo no varejo, que quase passa despercebida pelo visitante do Mercado. Quase que percebida entre as outras mais de 270 casas, a loja contínua sendo pouco conhecida (apenas por vários fregueses tradicionais) do grande público consumidor, mas carrega consigo a glória de ter sido o início de uma empresa admirada, que é conhecida, hoje, muito mais fora das fronteiras de Minas do que dentro do Estado: a Frios Delícia. De uma micro empresa, a Frios Delícia possui atualmente representantes no Rio, São Paulo, Goiás, Brasília, Vitória, Recife e Curitiba e fornece seus produtos para as cozinhas dos mais sofisticados hotéis e restaurante do País,serviços de bordo de empresas aéreas e marítimas, além de continuar sendo uma das principais fornecedoras de carnes defumadas para os banquetes do Itamaraty. “Dito assim parece até que somos pequenos e pretendemos continuar dentro dessa categoria, pois nossa maior preocupação é com a qualidade. Neste aspecto tenho certeza de que não temos concorrentes”, ddiz o engenheiro químico, informando que o seu frigorífico, situado no bairro Padre Eustáquio, será em breve transferido para Contagem, numa área de 1600 metros quadrados, “onde teremos toda infra-estrutura para produzir nossas carnes “. Haroldo Silva garante que, mesmo com transferência, a empresa preservará o seu caráter artesanal. “Produzimos hoje quatro toneladas de carnes defumadas e curadas por mês. No novo local teremos condições de produzir mais de 10 toneladas. Até aí não há nada que comprometa o processo artesanal, pois ainda terei meios de controlar pessoalmente a produção. Aliás, pelo menos uma das etapas do processo passa por minhas mãos e, até dez toneladas, será possível continuar assim” _ garante. As novas instalações de Contagem, segundo ele, possibilitarão á empresa condição de exportar, algo que já lhe foi oferecido antes devido a qualidade de seus produtos, mas cuja estrutura empresarial não permitia sequer pensar no empreendimento. “Outra vantagem é que teremos a partir da transferência, inspeção federal, o que credibiliza ainda mais a empresa”. A empresa, que conta apenas com seis empregados, será obrigada a contratar outros para produzir a meta desejada e já vem adquirindo novas câmaras de defumação, refrigeradores, curadores e equipamentos para embalagem a vácuo. “O novo frigorífico requer investimentos de pelo menos 200 mil cruzados novos. Vamos fazendo devagar sem fazer nada a ninguém e sem pagar empréstimos bancários, pois já tivemos problemas anteriores na época do Plano Cruzado” _ informa. SEGREDOS: O sucesso deve-se muito mais a uma questão de ideologia do que propriamente a segredos culinários. O sucesso, de acordo com Haroldo Silva, está no processo de defumação, no qual o peixe é submetido por longo tempo á exposição em fumaça de serragem de madeiras nobres: cedro, cerejeira, sucupira, entre outras. O processo de defumação através da queima de serragem pode durar até 72 horas, a exemplo do que acontece com presunto. "Este carinho e preocupação com detalhes é o que caracteriza os produtos da empresa. O surubim, especialmente, precisa de no mínimo 36 horas de defumação em câmara especial para ficar no ponto. Só depois é que ele será escaldado, resfriado e embalado a vácuo” _ diz o empresário que afirma já ter dispensado diversos convites para fornecer seus produtos para redes de supermercados simplesmente porque, assim, teria de adotar o destilado de fumaça, “que é uma solução liquida com pós químicos de fumaça que apressa o processo e permite produção em grande escala, a exemplo dos grandes frigoríficos” explica. CARRO CHEFE O frigorífico produz 37 itens de carnes defumadas, desde a mais sofisticadas como truta, arenque, cauda de lagosta, camarão e pastrame (feito com peito de boi ou de patinho) até as mais comuns, tipo lombo, lagarto, frango, picanha, cavalinha cabrito, rã, coelho, etc. Todas preparadas com a mesma filosofia artesanal que caracteriza a produção da empresa reconhecida nacionalmente.Vendida ao consumidor a quilos em sua loja do mercado central (no atacado as vendas são feitas pelas representantes), as carnes variam de preço: mínimo cinco cruzados novos, máximo vinte cruzados novos, dependendo da escolha feita. Embora todas elas sejam bem procuradas, o carro chefe da empresa é, realmente, a carne que lhe deu fama e reconhecimento: o surubim. Cientificamente conhecido por “pseudoplatysto nacoruscans”, o surubim é um peixe típico do Rio São Francisco. Farto de carne e com medidas médias de 2 metros de comprimentos e 20 quilos de peso, o peixe apresenta o dorso escuro com pintas negras e ventre branco. Os bandeirantes foram os primeiros homens (exceção para os índios) a ter contato com esse tipo de peixe. E desde então ele é, certamente, o mais apreciado e consumido da região central do País, onde é preparado das mais diversificadas formas. Dessa maneira, o surubim-pintado, que assim é chamado para diferenciar-se de outras espécies encontradas na Bacia do Amazonas ( o surubim-mena, de coloração pardo-avermelhada), primeiramente conquistou as mesas menos exigentes dos cablocos das margens do São Francisco para aos poucos ir integrando-se ao cardápio dos mais finos restaurantes brasileiros: preparado com muqueca, à dorê, ou na brasa. De um prato simples, o peixe passou a ser servido em ocasiões especiais e em restaurante selecionados. Já delicioso por natureza, o surubim veio adquirir o gostinho especial, através de defumação, que conquistou inclusive a cozinha do Itamaraty. Haroldo Silva promete manter, mesmo com as aplicações de seu frigorífico, sem qualquer alteração o seu processo de elaboração, que possuiu métodos bastante especiais, que começam a ser utilizados após a entrega do peixe: primeiro a desossa e retirada do filé, que é posteriormente submerso em salmoura por 48 horas para a cura. A seguir é secado por volta de 12 horas em câmara fria. A etapa seguinte é a defumação propriamente dita, onde o peixe permanece na Câmara às vezes por mais de 36 horas envolta pela forte fumaça emanada pelos montes de serragem queimados. Após esse prazo, a carne volta à câmara de resfriação. Daí até à máquina de embalagem a vácuo já se passaram oito dias, e só então a carne estará pronta para ser despachada. Segundo Haroldo Silva, da produção total de curados e defumados da empresa, mais de 70 por cento seguem para outros estados. No caso do surubim, que apresenta mais de um terço de toda a produção, somente dez por cento da carne permanece em Minas. Centenas de quilos de peixe são enviados mensalmente para o Rio de janeiro para abastecer, entre outros a comissária da Vasp e da Varig, que atende aop serviço de bordo da Lufthansa e Air France. Os produtos chegam ainda aos transatlânticos italianos da Línea C e às redes de hotéis Meridien, Palace, Sheraton, Intercontinental, Quatro Rodas, Othon, alem de mais um grande numero de restaurante do País. Em Belo Horizonte ele é responsável pelo abastecimento das cozinhas de toda a rede Alpino, cervejaria Brasil, Cabaré Mineiro, Pato Selvagem e diversos outros restaurantes da cidade.
Como não posso aumentar meus preços de venda pois minha tabela já está na Sunab desde o início do Plano Verão, a solução vai ser tirar alguns produtos de circulação, a exemplo do ocorreu na época do Plano Cruzado. |
Curados e Defumados
- Picanha Defumada
- Lombo Defumado
- Pastrame Tradicional
- Eisbein Salmourado/Cozido
- Língua Bovina Defumada
- Copa Defumada
- Bresaola Bovina
- Pernil Defumado e Cozido
- Costelinha Defumada
- Presunto Cru Defumado
- Pastrame Picante
- Coxa de Perú Defumada
- Frango Defumado Inteiro
- Pancceta temperada
- Eisbein Defumado
- Roast Beef
- Peito de Boi Salmourado
- Lachs Shinken (Lombo Def,Crú tipo Salmão)
- Lombo com Curry
- Lombo c/Pimenta Calabresa
- Carne de sol especial
- Lombo Defumado (fatiar)
- Língua Bovina Def. e Cozida
- Bolo de Carne (Fleischkase)
- Kassler com Osso
- Lombo com Páprica
- Eisbein Salmourado
- Frango Defumado
- Eisbein sem osso
- Bacon Carnudo
- Costelinha Fresca
- Lombo com Orégano
Embutidos
- Pepperoni
- Linguiça Blumenau
- Linguiça Cuiabana
- Linguiça Aperitivo (porco)
- Linguiça Alheira com Bacalhau
- Linguiça Calábria
- Salsichão c/ Ervas Finas
- Salsichão c/ Provolone
- Linguiça tipo Vitela
- Salsichão c/ Alho
- Linguiça Amalfitana
- Salsicha Frankfurter
- Salsichão c/Pimenta Verde
- Linguiça Calabresa
- Salsichão Lionês
- Linguiça cozida sem cura
Temperados para Assar
Pescados
Carpaccios
Carnes exóticas
- Cortes de cordeiro
- Pernil de Cabrito Traseiro Temperado
- Linguiça de Cordeiro *
- Leitão Abatido Fresco
- Cordeiro-Pernil Traseiro com osso (Temperado para assar)*
- Jacaré inteiro
- Cordeiro-Pernil Traseiro sem osso *
- Marreco (Caneton Pequim)
- Pernil de Javali
- Cordeiro-Filet Mignom *
- Pato (inteiro)
- Coelho (peça)
- Cordeiro-Kit
- Filet de Avestruz
- Cabrito-Inteiro
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Essa fumaça cheirosa que defuma e dá sabor às carnes.
A alquimia para se atingir á tal delícia era segredo de apenas uma pessoa: o engenheiro químico Haroldo Eustáquio da Silva, especialista em alimentos. Sua técnica de defumação foi desenvolvida a partir da tecnologia tradicional que os camponeses alemães possuem para defumar carnes.
O frigorífico produz 37 itens de carnes defumadas, desde a mais sofisticadas como truta, arenque, cauda de lagosta, camarão e pastrame (feito com peito de boi ou de patinho) até as mais comuns, tipo lombo, lagarto, frango, picanha, cavalinha cabrito, rã, coelho, etc. Todas preparadas com a mesma filosofia artesanal que caracteriza a produção da empresa reconhecida nacionalmente.
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